Ensaios dos Materiais Metalúrgicos · UFRGS

TRAÇÃO &
DUREZA

Guia de estudos completo. Clique em qualquer fórmula para ver explicação detalhada: variáveis, unidades, exemplos práticos e dicas de prova.

Cap. 02 — Tração Cap. 04 — Dureza
01O Que é o Ensaio de Tração?
Ensaio mais importante e mais utilizado industrialmente. Consiste na aplicação de carga de tração uniaxial crescente em um corpo-de-prova específico até a ruptura, medindo variação de comprimento em função da carga.
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Flexibilidade de Aplicação

Desde tiras e arames até tarugos e blocos. Metais, polímeros, cerâmicos, compósitos e madeira.

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9 Propriedades Quantitativas

σu, σe, E, UR, ν, UT, ductilidade, coef. de encruamento (n) e coef. de resistência (k).

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Variáveis que Influenciam

Temperatura, velocidade de deformação, anisotropia, tamanho de grão, % de impurezas e condições ambientais.

02A Curva Tensão-Deformação
// Curva típica do ensaio de tração — regiões características
ε σ Ruptura σe σu σr Elástica Escoamento Encruamento Uniforme Estricção tg(α)= E UR
03Propriedades Obtidas
E
Módulo de Elasticidade (Young)
Rigidez do material. E = σ/ε na região linear. Aço: ~210 GPa; Al: ~70 GPa.
σe
Limite de Escoamento
Tensão a partir da qual há deformação permanente. Convencional: offset 0,2%.
σu
Limite de Resistência à Tração
Tensão máxima na curva convencional. Marca o início da estricção.
ν
Coeficiente de Poisson
Relação entre deformações transversal e axial. Metais: ~0,3.
UR
Módulo de Resiliência
Energia absorvida até o escoamento por unidade de volume.
UT
Módulo de Tenacidade
Área total sob a curva σ-ε. Energia necessária para fraturar.
φ
Coeficiente de Estricção
Mede a redução de área na fratura. Parâmetro chave em laminação.
n
Coeficiente de Encruamento
σr = k·εrⁿ. Capacidade de distribuir deformação plasticamente.
04Fórmulas Essenciais — clique para detalhes
DETALHES
Tensão Convencional
σc = P / S₀
S₀ = seção transversal inicial
DETALHES
Tensão Real
σr = σc · (1 + εc)
Considera variação da seção
DETALHES
Deformação Real
εr = ln(1 + εc)
Deformação logarítmica
DETALHES
Módulo de Elasticidade
E = σ / ε
Inclinação da região elástica [MPa]
DETALHES
Módulo de Resiliência
UR = σe² / 2E
Área triangular até o escoamento
DETALHES
Coeficiente de Poisson
ν = −εx / εz
Para metais ν ≈ 0,3
DETALHES
Lei de Encruamento (Hollomon)
σr = k · εr ⁿ
Região plástica
DETALHES
Coeficiente de Estricção
φ = (S₀ − Sf) / S₀
Redução de área na fratura
05Normas e Procedimento
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Norma principal: ASTM E 8-69. A deformação convencional de 0,2% determina o limite de escoamento em metais e ligas (0,5% para Cu e ligas; 0,1% para ligas muito duras). Velocidade de ensaio: ~0,005 mm/mm·min.
MaterialOffset (n)Coef. Poisson (ν)E (MPa)
Aço carbono0,2%0,293210.000
Alumínio0,2%0,34570.000
Cobre0,5%0,343127.000
Níquel0,2%0,312209.000
Tungstênio0,2%0,280414.000
01O Que é o Ensaio de Dureza?
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Dureza: resistência de um material à deformação permanente localizada. O ensaio consiste na impressão de uma pequena marca (identação) na superfície pela aplicação de pressão com um penetrador padronizado. A medida é dada pelas características da marca e da carga aplicada.
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Controle de Qualidade

Amplamente usado para controle de entrada de matéria-prima e etapas de fabricação de componentes mecânicos.

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Ligação Atômica

Van der Waals (plásticos) → mole. Metálica/iônica → duro. Covalente (diamante) → hiper-duro.

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Versátil e Rápido

Peça praticamente intacta. Resultado imediato em display microprocessado. Shore é portátil.

02Tipos de Ensaio de Dureza
MétodoSímboloPenetradorCarga típicaAplicação principal
BrinellHBEsfera aço/WC · Ø10 mm3000 kgfFundidos, forjados — estrutura heterogênea (FF cinzento)
RockwellHR(A,B,C…)Cone diamante 120° ou esfera aço60–150 kgfProdução em série — leitura direta, rápido
VickersHVPirâmide diamante 136°1–120 kgfMateriais duros, peças finas, pesquisa
KnoopHKPirâmide elongada (7:1)<1 kgfCamadas finas, vidro, películas eletrodepositadas
ShoreHSPonta diamante (rebote)DinâmicoPeças grandes em campo: cilindros de laminador
MohsMinerais (escala 1–10)RiscoMineralogia — inadequado para metais
03Fórmulas Principais — clique para detalhes
DETALHES
Dureza Brinell
HB = 0,102 · 2P / [πD(D−√(D²−d²))]
P [N] · D = diam. esfera · d = diam. impressão
DETALHES
Dureza Vickers
HV = 0,189 · P / d²
d = média das diagonais [mm]
DETALHES
Microdureza Knoop
HK = 14,23 · P / l²
l = diagonal maior [μm]
DETALHES
Brinell → Resistência à Tração
σu = α · HB
α depende do material
DETALHES
Rockwell — Profundidade
p = (100 − HR) · 0,002 mm
Para penetrador de diamante
DETALHES
HB Aço Bifásico
HB ≈ f₁·HB₁ + f₂·HB₂
Regra das misturas
04Dureza Brinell — Detalhes Práticos
Distâncias Mínimas

Entre impressões: 4d (ferrosos) ou 6d (outros). Da borda: mínimo 2,5d. Espessura mín.: 10× profundidade da calota.

Escolha da Esfera

HB ≤ 450: esfera de aço (HBs). HB 450–650: carboneto de tungstênio (HBw). Condição: P/D² = constante.

Leitura da Impressão

Medir em duas direções a 90°. d = (d₁+d₂)/2. Equipamentos modernos são microprocessados.

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Casos especiais: Metais trabalhados a frio (baixo encruamento) → metal adere à esfera, d' > d real. Alta capacidade de encruamento → amassamento das bordas, d' < d real. Ambos geram erros de leitura.
05Escalas Rockwell Mais Usadas
EscalaPenetradorCarga (kgf)CorAplicação
HRCCone diamante150PretaAço temperado ou cementado
HRBEsfera 1,58 mm100VermelhaFerro fundido, aços não temperados
HRACone diamante60PretaMetal duro, aço fundido/rápido
HRFEsfera 1,588 mm60VermelhaMetais moles, ligas de cobre
HRGEsfera 1,588 mm150VermelhaBronze fósforo, ligas de berílio
06Dureza dos Microconstituintes do Aço
MicroconstituinteDureza Brinell (HB)
Ferrita~80 HB
Perlita grosseira~240 HB
Perlita fina~380 HB
Martensita~595 HB
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Exemplo prático (SAE 1040): 50% Ferrita + 50% Perlita grosseira → HB ≈ 0,50×80 + 0,50×240 = 160 HB. Manual: HB = 115 → σu ≈ 414 MPa.
Tração vs Dureza
🔶 Ensaio de Tração

Ensaio destrutivo — o corpo-de-prova é rompido

Fornece 9+ propriedades quantitativas

Carga estática crescente uniaxial

Aplicável a todos os materiais de engenharia

Curva σ-ε revela comportamento elástico e plástico

Norma: ASTM E 8-69

Exige máquina de tração e extensômetro

Usado para aprovação de lotes e peças críticas

🔷 Ensaio de Dureza

Ensaio semi-destrutivo (marca pequena na superfície)

Fornece principalmente um número de dureza

Carga pontual estática ou dinâmica (Shore)

Múltiplos métodos: Brinell, Rockwell, Vickers, Knoop

Permite estimar σu via correlação HB → σu = α·HB

Normas: ASTM E10-93, NBR 6394 (Brinell), NBR 6672 (Vickers)

Equipamento portátil disponível (Shore)

Ideal para controle de processo e tratamentos térmicos

Relação HB → Resistência à Tração
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σu = α · HB — Relação experimental. Válida principalmente para HB ≤ 380 HB (acima disso a curva cresce mais rápido que a resistência à tração).
MaterialConstante αObs.
Aço carbono3,60Mais utilizado na prática
Aço carbono tratado termicamente3,40
Aços liga tratados termicamente3,30
Latão encruado3,45
Cobre recozido5,20
Alumínio e ligas4,00
Quando Usar Cada Ensaio?
Use Tração quando…

Precisar de E, ν, UR, UT, coef. encruamento n, coef. de estricção. Para aprovação de material novo, desenvolvimento de ligas ou peças estruturais críticas.

Use Dureza quando…

Verificar tratamentos térmicos, medir gradiente de têmpera/cementação, controle rápido em linha de produção ou quando a peça não pode ser destruída.

Materiais Heterogêneos

Ferro fundido cinzento: Brinell é o único adequado por ter grande área de impressão, cobrindo grafita + matriz.

Peças com Tratamento Superficial

Brinell NÃO é adequado — impressão ultrapassa a camada cementada. Usar Vickers ou Rockwell superficial.

Tração — Perguntas & Respostas
O que é o Módulo de Elasticidade?
Rigidez do material na região elástica. E = σ/ε. Depende das forças de ligação interatômica e aumenta com a temperatura de fusão do material.
O que acontece na região de escoamento?
As discordâncias se deslocam. Em aços baixo carbono: pontos superior e inferior de escoamento + bandas de Lüders. Material deforma plasticamente com pequeno aumento de tensão.
Por que σr ≠ σc após o escoamento?
σc usa área inicial S₀ (constante). σr usa a seção instantânea S (sempre menor após escoamento). Resultado: σr = σc·(1+εc) — sempre maior que σc.
O que é a estricção e para que serve?
φ = (S₀−Sf)/S₀. Mede a redução de seção na fratura. Em laminação, define a máxima redução possível por passe — se ultrapassar φ, ocorre fratura.
Como calcular σu a partir de HB?
σu = α·HB. Para aço carbono α = 3,60. Ex: HB = 122 → σu ≈ 439 MPa. Válido para HB ≤ 380.
Qual material faz melhor mola?
Polímeros têm UR maior! Epóxi: 0,817 vs Aço Inox: 0,306 N·mm/mm³. UR = σe²/(2E) — maximize σe e minimize E.
Dureza — Perguntas & Respostas
Qual ensaio de dureza usa profundidade?
Rockwell (HR). Mede a profundidade de penetração permanente após retirada da carga principal, mantendo a pré-carga de 98 N.
Por que aplicar pré-carga no Rockwell?
Para eliminar efeito de defeitos superficiais, fixar o corpo-de-prova e causar pequena deformação permanente — eliminando erros de deformação elástica na leitura.
Por que usar ângulo 136° no Vickers?
É o ângulo formado pelas tangentes às bordas da impressão Brinell partindo do fundo. Isso torna HV ≈ HB em materiais comuns, facilitando comparações.
Vickers vs Knoop: diferença prática?
Knoop: pirâmide elongada (7:1), impressão 15% da área Vickers, metade da profundidade. Ideal para camadas finas, vidro e películas eletrodepositadas.
Brinell é adequado para peças cementadas?
Não. A grande impressão penetra além da camada cementada, medindo o núcleo. Usar Vickers ou Rockwell superficial para camadas.
Dureza da martensita vs ferrita?
Martensita: ~595 HB. Ferrita: ~80 HB. Fator 7× — explica por que a têmpera (→ martensita) eleva drasticamente a dureza do aço.